RUMO NORTE

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

No Cabo das Tormentas

Cape Town / Cidade do Cabo

A espanto se deu dois dias antes de embarcar; (como sempre, eu estava mais uma vez sobrecarregado de compromissos a serem honrados até duas horas antes do embarque).

Ao checar a previsão do tempo para a Cidade do Cabo no meu site predileto http://br.weather.com/ deparei-me com uma previsão de temperaturas entre 7 e 12º C!! Gelei. Achei que estava errado. Pesquisei outro e outro sites. A informação era consistente!

Porque o espanto, perguntou-me Leiner. A Cidade do Cabo não está na mesma latitude que Porto Alegre? Então...

Mas essa não é a fantasia que temos da África Subsaariana. Imaginamos um lugar quente, tórrido!

Já escaldado, fui ver a situação nos outros destinos: Nairobi: 12 a 19ºC. Um pouco melhor, mas ainda fora do "padrão". (Nairobi está na linha do Equador, mas a 1680 m de altitude!). No Masai Mara e Serengeti estava mais frio que isso!

Quem já esteve em Seattle, Estados Unidos, pode ter uma ideia de como é a Cidade do Cabo: uma cidade litorânea, cercada de montanhas, arquitetura moderna, limpa, com bairros de alto padrão habitados por brancos.


Sim, claro, estamos no Terceiro Mundo, é verdade. Há favelas, que eles chamam de "Informal Settlements" e negros pobres pelas ruas. Igualzinho a uma cidade americana...

Bom, nesse caso [das favelas], talvez seja melhor compará-la com o Rio de Janeiro. Na orla, essa semelhança fica mais evidente. Com a questão de segurança também.

(uma dessas fotos é do Rio de Janeiro e a outra é da Cidade do Cabo...)






Nesse quesito, segurança, o Rio parece levar vantagem. É possível locomover-se livremente a pé e em transporte público, o que está fora de cogitação na Cidade do Cabo.

A Cidade do Cabo está promovendo um grande processo de gentrificação do seu porto. Há ali um imenso complexo de shoppings centers, de edifícios residenciais e escritórios com a aparência de que está dando certo. Chama-se Waterfront. Mas, por volta das 22h horas tudo morre e os turistas devem retornar ao hotel. De táxi.




Foto by Rita Kitty




A paisagem da Cidade do Cabo é dominada pela Montanha da Mesa, uma montanha cujo topo é achatado, tipo de relevo muito comum na Chapada Diamantina. Há um bondinho que sobe até o topo da montanha. Há também trilhas de algumas horas. Seguindo o conselho do Lonely Planet, eu subi pelo bondinho e desci a pé. Foto by Rita Kitty






Para um brasileiro, acho que uma das coisas mais relevantes que se pode fazer aqui é visitar o Cabo da Boa Esperança. Eu queria ir de bicicleta! Não dá. São 60 km de distância. A melhor solução seria alugar um carro. Fora de cogitação, pois na África do Sul vigora o estilo inglês de dirigir, os volantes dos carros ficam do lado direito e todo mundo dirigindo na contra-mão!

Então, acabei encontrando uma operadora que oferece o passeio ao Cabo da Boa Esperança com uma parte - exatamente a que chega na ponta - de bicicleta! Meu objetivo foi alcançado.

Era um tour turístico convencional. Eu estava em uma van com dez outras pessoas e o guia local.
Passamos por False Bay, a outra baía que fica como uma imagem em espelho em relação à Table Bay, que é baía que fica em frente à cidade, e vários vilarejos ao longo da costa de False Bay, até chegarmos em Boulders Beach, onde tem uma colônia urbana de pinguins.

Depois, chegamos ao Parque Nacional no qual está localizado o Cabo da Boa Esperança. Almoço tipo piquenique fornecido pelo tour e depois cada um pegou a sua bicicleta e seguiu por uma meia hora até o Cabo da Boa Esperança propriamente dito.

[Este é o Cabo das Tormentas!!]






Neste percurso vimos alguns avestruzes. Nas brochuras dos passeios, aparecem fotos de zebras, que eu não avistei. Já quando estávamos indo embora, avistei três Elands, o maior dos antílopes da África.



Quase todo mundo pensa que o Cabo da Boa Esperança é o ponto mais meridional da África, o que é um erro. O ponto mais ao sul da África se chama Cape Agulhas, assim mesmo, em português (eles pronunciam [quiepe agálas]), que fica a 150 km a nordeste dali. Eu quis ir no Cape Agulhas, que é de fato onde os dois oceanos se encontram, mas não deu, era muito longe, e eu não tinha tempo.

Mas, o Cabo da Boa Esperança é um marco histórico, e é de fato um lugar muito lindo. As autoridades turísticas da África do Sul preferem alimentar o mito. Então, colocaram esta placa lá com uma pegadinha: "o ponto mais sudoeste do continente africano". Quem tem a mínima noção de localização espacial sabe que até Cape Point, ao lado, está mais ao sul do que o Cabo da Boa Esperança!



Ouvi falar de Hermanus, um dos melhores lugares do mundo para se observar baleias estando em terra! Dizia a fonte que há dias em que até 70 baleias aparecem na baía de Hermanus. E a estação de baleias estava começando!

Então, formamos um grupo de 6 amigos, contratamos um tour particular e lá fomos nós para Hermanus! era uma manhã chuvosa e muito fria!

No meio do caminho nos deparamos por acaso com a colônia de Pinguins de Betty´s Bay, muito maior do que a colônia de Boulders Beach e em uma praia mais isolada. Depois, paramos em um Jardim Botânico no-meio-do-nada.

Tudo parecia perfeito, até que o pneu da nossa van furou. Nada de mais. O motorista /guia, depois de alguns contratempos encontrou o pneu step e efetou a troca.

Agora começaram os problemas: o step também estava furado! A esta altura dos acontecimentos, já estávamos famintos, com frio, no meio de uma estrada pouco movimentada...

Mas o motorista conduziu a van com o pneu furado até um posto de gasolina.

Finalmente chegamos a Hermanus, azuis de fome. Por sorte, encontramos um restaurante maravilhoso, que servia uma sopa muito quentinha!

Mas o dia já estava acabando. Fomos à falésia, ficamos lá e nada de baleias. Quando já estávamos indo embora, duas baleias apareceram e fizeram a festa.
Foto by Rita Kitty

Afinal de contas, foi um dia maravilhoso. Mas, ao voltarmos à Cidade do Cabo, reclamei com muita veemencia junto à agência que nos enviou em um tour com o pneu step furado. O gerente da agência ofereceu, junto com um pedido de desculpas, um reembolso de 50% do valor pago. Justo.

Findas as nossas aventuras Sulafricanas, Ana Carla e eu começamos a nossa viagem de fato rumo norte: Quênia e Tânzania

quarta-feira, 26 de março de 2008

Seguindo as pegadas do Che: de Antofagasta a Lima

De Santiago a Antofagasta sao duas horas de avião. Ao longe vemos a Cordilheira dos Andes com os seus picos nevados e embaixo o árido Deserto de Atacama. Minas, minas, barragens para reter a água que desce da Cordilheira.

No dia seguinte empreendemos a viagem para San Pedro de Atacama. Saímos de Antofagasta por volta das 10h da manhã e a subida para 2.200 metros se dá rapidamente! As paisagens são de tirar o fôlego, não somente pela rerefação do ar que já se começa a sentir... De repente, numa curva, avistamos o Salar de Atacama, um imenso lago de sal, onde há 4.000 anos havia um lago de verdade.

Na primeira vez que vi o Salar de Atacama em 1993 avistei milhares de flamingos mariscando nas poucas poças de água que resitem; desta vez havia apenas uma dezena.... mudanças climáticas ou apenas algo circunstancial, sazonal?











Estamos em um grupo bastante heterogeneo de 6 seis pessoas; três médicos luxemburgueses com mais de 50 anos de idade, dois deles envolvidos com ONGs que trabalham com crianças em situação de risco (inclusive em Luxemburgo), o outro é apenas um amigo que se interessou pela viagem, duas moças de 29 anos, uma é professora primária e a outra, film maker, que está documentando a viagem. E eu.

De San Pedro de Atacama passamos a Calama, tentamos visitar a mina de Chuqicamata, que há várias décadas produz a riqueza do Chile, o cobre, mas nao foi possível por uma incompatibilidade de horário.

Dali fomos direretamente para Iquique, onde reencontramos o Oceano Pacífico. Para chegar em Iquique descemos 2.200 metros em 15 minutos, uma descida vertiginosa e linda !!!


Andando na beira do Pacífico sentimos um cheiro como se estivessemos numa peixaria! Depois dei-me conta que este cheiro se deve tambem em parte à grande quantidade de caca dos pássaros. Há muitos pássaros marinhos, como se fosse em Fernando de Noronha, mas estamos numa das maiores cidades do Chile! E da praia avistei uma família de leões marinhos, inclusive com um filhote!

De Iquique viemos para Arica, a última cidade do Chile pela costa, antes de entrarmos no Peru. A viagem pela rodovia Panamerica é uma das mais lindas que já fiz! É um tal de subir e descer por despenhadeiros com aqueles dos desenhos animados.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Rumo Ao Norte - Primeiras Impressões

Quando voltei da Austrália no ano passado fiz uma escala numa manhã ensolarada de inverno em Santiago. Da janela do avião avistei a Cordilheira totalmente encoberta de neve e fiquei morrendo de vontade de descer e conhecer o lugar...


Hoje cheguei em Santiago sob um sol escaldante de 28º C e de neve não havia qualquer lembrança:









Além disso hoje é Sexta-feira Santa e, claro, tudo está fechado; mesmo assim os Chilenos saem todos para a rua para comer mariscos no Mercado Central, que na hora que visitei estava completamente caótico.
No Mercado Central de Santiago, numa das minhas primeiras conversas, louco para praticar o meu Español, tive o seguinte diálogo com a garçonete:
- Señora, por favor, que jugos tiene?
- Tenemos Abactchi, morango y pesego ...
E eu, já irritado:
- Señora, por favor, estamos en Chile! hable castellano, si?
Ela:
- Se lo hablo non me compreendes!
Eu: - Pués traigame un jugo de piña! Sin azucar, por favor!

A cidade nao tem nada de mais, apenas um quê europeu, de limpeza e ordenamento que nao se avista em outras paragens no continente.
[Durante toda a viagem, na qual percorremos 4.400 km em duas semanas, estive sempre muito cansado e com pouca disposição para escrever]

Porque a Viagem

No ano letivo de 1990/91 fiz residência médica em Luxemburgo em Clínica Médica com ênfase em Infectologia; Ali conheci Jos Faber, meu colega de residência, que viria a se especilizar em Otorrinolaringologia.

Ao fim da residência fizemos juntos uma viagem de carro por Portugal e Espanha, o que acentuou a nossa amizade; depois que retornei ao Brasil sempre nos mantivemos em contato.

Jos faz parte no Luxemburgo de um grupo de motoqueiros, e ao ver o filme "Diários de Motocicleta" deciciu que repetiria a viagem de Che pela América do Sul e me convidou para acompanhá-lo. Eu não o acompanhei na primeira etapa, de Buenos Aires a Santiago, que ele fez no ano passado, durante a minha viagem para a Austrália, mas assumi o compromisso com ele de que o acompanharia nesta segunda etapa, de Santiago a Lima, que começa amanhã, e aqui estamos!

Jos Faber é casado, pai de um rapaz e de duas meninas adolescentes, é médico e vereador pelo Partido Socialista luxemburguês pela sua cidade natal, Walferdange, Luxemburgo. Ele divulgou a sua viagem no Luxemburgo com o objetivo de arrecadar fundos para uma entidade que assiste crianças em Rosário, Argentina, e a nossa viagem será acompanhada de perto pela imprensa luxemburguesa - bem como pela família real local, que lhe outorgou uma carta de recomendações!

www.helpkids.lu

Acredito que Jos e eu temos impressões diferentes sobre como abordar os problemas das crianças pobres na América do Sul e sobre Che Guevara, mas, para mim, é apenas mais uma viagem na companhia de um amigo querido.

sábado, 22 de setembro de 2007

O Ataque das Araras






[Quando eu estava viajando pela Austrália há um mês, idealizei este fotoblog e imaginei que nele faria várias entradas contando todas as minhas aventuras e impressões daquela viagem que tanto me marcou. Contudo, ao voltar para São Paulo fui rapidamente engolido pela rotina e só tive tempo para fazer uma postagem sobre a Austrália. Dois meses quase se passaram; a memória é inimiga da precisão e outras emoções e impressões já se impõem!!


Além disso, estou "apanhando" com este editor de blog do Google; não é tão simples quanto escrever um e-mail! quando eu adiciono fotos, desconfigura tudo e eu perco um tempo precioso editando!].

Outra coisa: A publicação do blog é de baixo para cima: Ou seja, para entender esta postagem seria melhor ler antes a postagem "Manaus" e mesmo a anterior, chamada "Austrália, o paraíso branco!"

O lodge Tiwa é mesmo muito simpático; são duas dezenas de casinhas de madeira muito bem cuidadas contstruídas sobe um igarapé (ou será um igapó? - nunca "decorei" o significado dos nomes destas coleções aquáticas da Amazônia. Aqui seria um "lago").





Cada casinha comporta dois apartamentos, cada um com uma cama de casal e um mezanino com uma cama de solteiro. A decoração é muito bacana e simpática e a limpeza é impecável. O banheiro é muito confortável e amplo.


A única coisa que não gostei é que as portas que dão para o lago são de madeira; como é indispensável ficar com o ar condicionaldo ligado todo o tempo, não dá para curtir a paisagem enquanto se descansa do calor sufocante e da leseira que bate depois do almoço!

Mas para isso há o quiosque das redes!



Ao chegar, achei estranho que não houvesse nenhuma rede armada no local e solicitei uma na recepção.

A moça da recepção até me trouxe uma revista, que eu comecei a folhear, mas acho que não passei da segunda página antes que a mesma caísse das minhas mãos...



Mas as minhas mãos não ficaram por muito tempo inertes, pois não mais que dois ou três minutos depois de ter-me deitado ali, acordei desesperado, sendo atacado por duas araras, que me bicavam e faziam o maior alvoroço!! Uma mordeu um dos meus dedos com o seu bico que foi desenhado para quebrar cocos - e a outra apertou o meu trapézio; a primeira provocou um sagramento que me assustou bastante e a outra deixou uma marca que durou três dias!

Foi um susto e tanto! quem já viu uma arara de perto sabe que ela pode causar muito estrago, se o desejar - o que acredito que não era o caso. Acho que elas só queriam me assustar.


E me espantar do seu território!! Todos sabemos o quanto as aves são territoriais. E aquele quiosque está construído em cima do território daquelas araras! Na hora, os funcionários do hotel vieram todos com cara de assustados, oferecendo ajuda - pareciam surpresíssimos com o ocorrido, mas como eu mesmo - passado o susto - minimizei o fato, pouco a pouco as histórias foram saindo: aqueles ataques são muito frequentes naqueles quiosque! "elas têm muito ciúme daquele lugarzinho", me disse um dos guias!

Bom, mais uma vez a comparação com a Austrália: os australianos são obcecados por segurança; em todas as praias há avisos sobres as possíveis criaturas marítimas capazes de causar danos e todo um plano de resgate e antendimento disponíveis!

Jamais aquele quiosque seria mantido naquela localização se UM único ataque como aquele tivesse ocorrido em um hotel na Austrália. Haveria no local placas indicativas de que aquele ali era o território das araras - o que se tornaria uma atração do local.


O fato é que apesar de não ter sofrido maiores consequências, aquele ataque afetou a minha impressão do lugar e da viagem e eu sempre passava pelas araras me esgueirando...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Manaus


Fui recentemente convidado pelo Ministério da Saúde para fazer uma apresentação em um treinamento em Manaus. A idéia era ir e voltar no mesmo dia.
Contudo, já que a apresentação seria numa quinta-feira e eu teria que pegar um Airbus da TAM num mês de setembro, achei que seria demais ter que passar duas vezes no mesmo dia sobre os buracos negros do Ponto Terez. Resolvi esticar a viagem. Ficaria - por minha conta, claro, três dias em Manaus.

Há exatos dez anos fiz uma viagem de cinco semanas pelos rios da Amazônia, de Porto Velho a Belém e já conhecia Manaus. À épcoa viajei em barcos como este:


Desta vez eu queria passar estes três dias num daqueles hotéis de selva, dos quais o mais famoso é o Ariaú. http://www.viverde.com.br/ariau.html
Pronto. Começou a novela. Liguei lá e me passaram um orçamento de R$ 1.700,00 para o pacote de três dias / duas noites, um pouco demais para um hotel que não tem ar condicionado nos quartos!

Quem viaja comigo sabe o quanto odeio ar condicionado. Quando chego num hotel a primeira coisa que faço é desligar o ar e abrir as janelas. Mas, na Amazônia, ar condicionado é um item de sobrevivência indispensável, como água e ar. É simplesmente impossível dormir sem. As altas temperaturas associadas a uma umidade do ar perto de 100% geram um calor abafado, pegajoso, sufocante.

Mas a pessoa do setor de reservas do Ariaú teve a honestidade de me dizer que eu conseguiria preços mais em conta em uma agência em São Paulo, e recomendou a CVC.

Perdi mais de uma hora numa agência da CVC para receber um orçamento de R$ 1.300,00 reais pelo mesmo pacote. Aliás, todos os hotéis de selva oferecem basicamente o mesmo pacote: Hospedagem com pensão completa, passeios para focagem de jacaré, pesca de piranha, visita ao encontro das águas e à casa do caboclo.
O preço continuava indecente e proibitivo. Outras opções foram oferecidas: Anavilhanhas, Ecopark, etc. mas nenhum com preço abaixo de R$ 1.000,00 para duas noites.
Continuei as minhas buscas pela internet. Achei um que me parecia ideal, Ararinha lodge. Contudo, os contatos oferecidos no site ficavam em Winnipeg, Canadá...
Desisti. Deixei para ver in loco. Ao chegar no aeroporto de Manaus animei-me ao avistar logo de cara uma loja do Amazonat, um dos lodges que vira pela internet! Vibrei!

Mas a loja estava fechada. Tudo na fachada estava escrito em inglês. Havia números de telefone. Liguei em vários deles para ser atendidos por pessoas que se mostravam surpresas com a ligação e que não tinham a mínima informação sobre preços, etc. Depois consegui falar com álguém que me disse que a estada mínima era de 4 dias. Passo.



Fiquei hospedado uma noite pelo evento no Hotel Tropical. Lá havia uma agência de turismo. Mas como já eram 19h, a pessoa que se encontrava no local não tinha acesso aos preços dos pacotes, mas me deu um folheto do Tiwa (todo em inglês) no qual havia um número de telefone.




Ufa, deu certo, consegui um pacote "baratinho": R$ 672,00 para as duas noites, com as piranhas incluídas e tudo o mais!!

O mais chocante desta minha Via Crucis foi constatar o desprezo que estas operadoras de Manaus têm pelo turista nacional, chega a ser anti-ético, eles quase te falam na cara que é melhor você desistir!

A comparação se impõe sempre!! Há pouco mais de um mês estive viajando pela Austrália e não dá para comparar o profissionalismo e organização dos operadores. Eles realmente sabem ganhar dinheiro com turismo, sempre com aquela idéia de deixar o sujeito mais feliz do que pinto no lixo!! E sim, encontrei lá com turistas locais, Australianos, gente de Hervey Bay que estava fazendo o passeio para ver as baleias - e não tenho notícia de que eles tiveram dificuldade para comprar o pacote.
Bom, no meu lodge tinha sim, ar condicionado!! O Tiwa fica em frente a Manaus, na margem direita do Rio Negro e, apesar da proximidade de Manaus, é relmente incrustrado na selva, mas não totalmente isolado, pois há populações ribeirinhas vivendo a uma distância que dá para percorrer a pé a partir do hotel.



Tiwa













Casa do Caboclo
Criança "Cabocla"

Bom, na verdade, a casa do caboclo que aparece aí na foto é genuína, não a casa do Caboclo "oficial" (esta eu não fotografei), que é estilizada e a propriétaria tira o seu troco com a visita dos turistas.
"Só para ajudar" eu decidi comprar umas sementes chamadas "olho-de-boi" (as sementes eram as únicas coisas "compráveis" na casa do Caboclo pois os demais itens à venda era o esqueleto de uma tartarura, o couro de um jacaré e algumas peças de artesanato de qualidade duvidosa). Mas, para meu espanto, cada semente custava R$ 2 ! Não comprei. Constatei que o caboclo não necessitava da minha ajuda já que os tão desejados turistas estrageiros cumpriam perfeitamente este papel.

sábado, 18 de agosto de 2007

Austrália




















AUSTRÁLIA - O PARAÍSO BRANCO

Nos últimos anos tive a oportunidade de viajar pelo mundo afora e estive em lugares tão espetaculares e surpreendentes quanto Jerusalém, Macapá, Barreirinhas, Petra, Machu Pichu, Shewsbury. Mais ainda não tinha visitado a Austrália, o que só aconteceu recentemente. Ali passei três semanas no inverno de 2007.

Ao viajarmos pela Austrália a comparação com o Brasil se impõe permanentemente. Aliás, nós, brasileiros, temos esta mania de ficar o tempo todo comparando os lugares que visitamos com o Brasil. Eu já havia comparado previamente o Cairo com Recife (São duas cidades grandes, feias e poluídas cortadas por grandes rios...).

Mas, na Austrália, a comparação se impõe com maior força. Somos em tudo parecidos com eles, exceto por algums aspectos...

Pegue o Mapa Mundi:
Veja como a Austrália e o Brasil ocupam posições geográficas bastante semelhantes, mesmas latitudes, mesmo formato, mesma distribiuição de fusos horários! Sydney está mais ou menos na altura de Porto Alegre, Brisbane, de Curitiba e Cairns, de Porto Seguro (O extremo norte do Cabo York está na altura de Maceió e o extremo sul do "continente australiano" (sem contar com a Tasmânia) está na altura de Bahía Blanca, Argentina).

Cairns. Um dos destinos turísticos mais desejados - e visitados do mundo. Ali são organizados a maioria dos 1.400.000 mergulhos autônomos (com cilindro) realizados por ano na Austrália.



















Fabinho´s Diving Buddies


















COMO MONTAR E GERIR UMA FLORESTA TROPICAL

RECEITA


Pegue Ubatuba:

Ubatuba - SP






Cairns - Quensland:


















Pegue o trecho da subida da serra de Ubatuba para Taubaté



Road to Lake Morris, Cairns, Queensland

















Ponha no meio da mata aquela cachoeira que se avista na descida da Mogi-Bertioga;







Barron Falls















Ponha um vilarejo típico no alto da Serra (nem precisa ser tão maravilhoso quanto São Luís de Paraitinga);

Construa uma estrada marvilhosa que liga a cidade ao vilarejo - é necessário ter vários refúgios ao longo da subida, onde se pode parar o carro em segurança para apreciar a paisagem.


[Isto é um filme! clique na seta]



Construa uma estrada de ferro e ponha um trenzinho turístico que faz o percurso entre a cidade e o vilarejo, abarrotado de turistas; alternativamente, ofereça aos turistas a possibilidade de subir ao vilarejo por um teleférico por cima da Floresta Tropical.


















Construa no meio da mata uma passarela de 3 km de extensão que vai do nível do chão à copa das árvores. Nesta passarela é possivel passar com uma cadeira de rodas; todo o seu trajeto deve ser interpretado, explicando sobre as bromélias, como elas foram parar ali nas copas da árvores, a fauna, etc.

















Ponha no vilarejo e nas imediações, vários santuários de preservação da vida selvagem. Santuário das borboletas, santuário do mico-leão, santuário do beija-flor, etc. Cobre Quinze dólares de entrada em cada um destes santuários. Ponha em cada santuário lojinhas para vender pelúcias e toda sorte de lembrancinhas dos bichinhos fofinhos da região.






















Convença o Lonely Planet a recomendar este lugar como um dos lugares mais fascinantes do mundo, uma verdadeira imersão na Floresta Tropical (The Rain Forest) com toda a sua profusão de árvores frondosas, bromélias, cachoeiras, animais, borboletas.

Pronto, está feita a fórmula do sucesso!


Quando eu estava em Cairns eu não podia parar de pensar todo o tempo na minha amiga Anamaria Morales, que ficou dez anos em Ubatuba tentado convencer turistas a darem as costas ao oceano e fazerem trilhas pela Mata Atlântica, ao preço de 30 reais por cabeça... bom, ela desistiu da empreitada. A Serra do Mar Turismo fechou as portas!

[Em Cairns os passeios pela Rain Forest custam de AUS$ 80,00 a AUS$120,00 (R$130,00 a R$ 195,00)].
Bom, comecei o relato do fim. Na verdade, a minha viagem começou em Sydney, a maior cidade da Austrália, com 4 milhões de habitantes. Sydney está situada dentro de uma baía que contem dezenas de outras baías menores, o que a torna uma das cidades mais cênicas do mundo.

Eu classificaria as cidades mais bonitas do mundo assim:

1º lugar: Rio de Janeiro
















2º Lugar: Sydney

















3º Lugar: San Francisco

















Eu ia contar até dez, mas voltemos à Austrália:


Nos dois primerios dias pegamos tempo nublado, chuvisco, mas logo o tempo se firmou e o céu azul impecável predominou por toda a viagem.

Sydney é uma metrópole dinâmica. moderna, organizada. Tudo se passa à beira d´água. Os melhores passeios, lojas, atrações, estão no porto. E há vários pequenos portos, com nomes graciosos, como Darling Harbour.

















Depois eu conto o resto...