sábado, 22 de setembro de 2007

O Ataque das Araras






[Quando eu estava viajando pela Austrália há um mês, idealizei este fotoblog e imaginei que nele faria várias entradas contando todas as minhas aventuras e impressões daquela viagem que tanto me marcou. Contudo, ao voltar para São Paulo fui rapidamente engolido pela rotina e só tive tempo para fazer uma postagem sobre a Austrália. Dois meses quase se passaram; a memória é inimiga da precisão e outras emoções e impressões já se impõem!!


Além disso, estou "apanhando" com este editor de blog do Google; não é tão simples quanto escrever um e-mail! quando eu adiciono fotos, desconfigura tudo e eu perco um tempo precioso editando!].

Outra coisa: A publicação do blog é de baixo para cima: Ou seja, para entender esta postagem seria melhor ler antes a postagem "Manaus" e mesmo a anterior, chamada "Austrália, o paraíso branco!"

O lodge Tiwa é mesmo muito simpático; são duas dezenas de casinhas de madeira muito bem cuidadas contstruídas sobe um igarapé (ou será um igapó? - nunca "decorei" o significado dos nomes destas coleções aquáticas da Amazônia. Aqui seria um "lago").





Cada casinha comporta dois apartamentos, cada um com uma cama de casal e um mezanino com uma cama de solteiro. A decoração é muito bacana e simpática e a limpeza é impecável. O banheiro é muito confortável e amplo.


A única coisa que não gostei é que as portas que dão para o lago são de madeira; como é indispensável ficar com o ar condicionaldo ligado todo o tempo, não dá para curtir a paisagem enquanto se descansa do calor sufocante e da leseira que bate depois do almoço!

Mas para isso há o quiosque das redes!



Ao chegar, achei estranho que não houvesse nenhuma rede armada no local e solicitei uma na recepção.

A moça da recepção até me trouxe uma revista, que eu comecei a folhear, mas acho que não passei da segunda página antes que a mesma caísse das minhas mãos...



Mas as minhas mãos não ficaram por muito tempo inertes, pois não mais que dois ou três minutos depois de ter-me deitado ali, acordei desesperado, sendo atacado por duas araras, que me bicavam e faziam o maior alvoroço!! Uma mordeu um dos meus dedos com o seu bico que foi desenhado para quebrar cocos - e a outra apertou o meu trapézio; a primeira provocou um sagramento que me assustou bastante e a outra deixou uma marca que durou três dias!

Foi um susto e tanto! quem já viu uma arara de perto sabe que ela pode causar muito estrago, se o desejar - o que acredito que não era o caso. Acho que elas só queriam me assustar.


E me espantar do seu território!! Todos sabemos o quanto as aves são territoriais. E aquele quiosque está construído em cima do território daquelas araras! Na hora, os funcionários do hotel vieram todos com cara de assustados, oferecendo ajuda - pareciam surpresíssimos com o ocorrido, mas como eu mesmo - passado o susto - minimizei o fato, pouco a pouco as histórias foram saindo: aqueles ataques são muito frequentes naqueles quiosque! "elas têm muito ciúme daquele lugarzinho", me disse um dos guias!

Bom, mais uma vez a comparação com a Austrália: os australianos são obcecados por segurança; em todas as praias há avisos sobres as possíveis criaturas marítimas capazes de causar danos e todo um plano de resgate e antendimento disponíveis!

Jamais aquele quiosque seria mantido naquela localização se UM único ataque como aquele tivesse ocorrido em um hotel na Austrália. Haveria no local placas indicativas de que aquele ali era o território das araras - o que se tornaria uma atração do local.


O fato é que apesar de não ter sofrido maiores consequências, aquele ataque afetou a minha impressão do lugar e da viagem e eu sempre passava pelas araras me esgueirando...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Manaus


Fui recentemente convidado pelo Ministério da Saúde para fazer uma apresentação em um treinamento em Manaus. A idéia era ir e voltar no mesmo dia.
Contudo, já que a apresentação seria numa quinta-feira e eu teria que pegar um Airbus da TAM num mês de setembro, achei que seria demais ter que passar duas vezes no mesmo dia sobre os buracos negros do Ponto Terez. Resolvi esticar a viagem. Ficaria - por minha conta, claro, três dias em Manaus.

Há exatos dez anos fiz uma viagem de cinco semanas pelos rios da Amazônia, de Porto Velho a Belém e já conhecia Manaus. À épcoa viajei em barcos como este:


Desta vez eu queria passar estes três dias num daqueles hotéis de selva, dos quais o mais famoso é o Ariaú. http://www.viverde.com.br/ariau.html
Pronto. Começou a novela. Liguei lá e me passaram um orçamento de R$ 1.700,00 para o pacote de três dias / duas noites, um pouco demais para um hotel que não tem ar condicionado nos quartos!

Quem viaja comigo sabe o quanto odeio ar condicionado. Quando chego num hotel a primeira coisa que faço é desligar o ar e abrir as janelas. Mas, na Amazônia, ar condicionado é um item de sobrevivência indispensável, como água e ar. É simplesmente impossível dormir sem. As altas temperaturas associadas a uma umidade do ar perto de 100% geram um calor abafado, pegajoso, sufocante.

Mas a pessoa do setor de reservas do Ariaú teve a honestidade de me dizer que eu conseguiria preços mais em conta em uma agência em São Paulo, e recomendou a CVC.

Perdi mais de uma hora numa agência da CVC para receber um orçamento de R$ 1.300,00 reais pelo mesmo pacote. Aliás, todos os hotéis de selva oferecem basicamente o mesmo pacote: Hospedagem com pensão completa, passeios para focagem de jacaré, pesca de piranha, visita ao encontro das águas e à casa do caboclo.
O preço continuava indecente e proibitivo. Outras opções foram oferecidas: Anavilhanhas, Ecopark, etc. mas nenhum com preço abaixo de R$ 1.000,00 para duas noites.
Continuei as minhas buscas pela internet. Achei um que me parecia ideal, Ararinha lodge. Contudo, os contatos oferecidos no site ficavam em Winnipeg, Canadá...
Desisti. Deixei para ver in loco. Ao chegar no aeroporto de Manaus animei-me ao avistar logo de cara uma loja do Amazonat, um dos lodges que vira pela internet! Vibrei!

Mas a loja estava fechada. Tudo na fachada estava escrito em inglês. Havia números de telefone. Liguei em vários deles para ser atendidos por pessoas que se mostravam surpresas com a ligação e que não tinham a mínima informação sobre preços, etc. Depois consegui falar com álguém que me disse que a estada mínima era de 4 dias. Passo.



Fiquei hospedado uma noite pelo evento no Hotel Tropical. Lá havia uma agência de turismo. Mas como já eram 19h, a pessoa que se encontrava no local não tinha acesso aos preços dos pacotes, mas me deu um folheto do Tiwa (todo em inglês) no qual havia um número de telefone.




Ufa, deu certo, consegui um pacote "baratinho": R$ 672,00 para as duas noites, com as piranhas incluídas e tudo o mais!!

O mais chocante desta minha Via Crucis foi constatar o desprezo que estas operadoras de Manaus têm pelo turista nacional, chega a ser anti-ético, eles quase te falam na cara que é melhor você desistir!

A comparação se impõe sempre!! Há pouco mais de um mês estive viajando pela Austrália e não dá para comparar o profissionalismo e organização dos operadores. Eles realmente sabem ganhar dinheiro com turismo, sempre com aquela idéia de deixar o sujeito mais feliz do que pinto no lixo!! E sim, encontrei lá com turistas locais, Australianos, gente de Hervey Bay que estava fazendo o passeio para ver as baleias - e não tenho notícia de que eles tiveram dificuldade para comprar o pacote.
Bom, no meu lodge tinha sim, ar condicionado!! O Tiwa fica em frente a Manaus, na margem direita do Rio Negro e, apesar da proximidade de Manaus, é relmente incrustrado na selva, mas não totalmente isolado, pois há populações ribeirinhas vivendo a uma distância que dá para percorrer a pé a partir do hotel.



Tiwa













Casa do Caboclo
Criança "Cabocla"

Bom, na verdade, a casa do caboclo que aparece aí na foto é genuína, não a casa do Caboclo "oficial" (esta eu não fotografei), que é estilizada e a propriétaria tira o seu troco com a visita dos turistas.
"Só para ajudar" eu decidi comprar umas sementes chamadas "olho-de-boi" (as sementes eram as únicas coisas "compráveis" na casa do Caboclo pois os demais itens à venda era o esqueleto de uma tartarura, o couro de um jacaré e algumas peças de artesanato de qualidade duvidosa). Mas, para meu espanto, cada semente custava R$ 2 ! Não comprei. Constatei que o caboclo não necessitava da minha ajuda já que os tão desejados turistas estrageiros cumpriam perfeitamente este papel.