quarta-feira, 26 de março de 2008

Seguindo as pegadas do Che: de Antofagasta a Lima

De Santiago a Antofagasta sao duas horas de avião. Ao longe vemos a Cordilheira dos Andes com os seus picos nevados e embaixo o árido Deserto de Atacama. Minas, minas, barragens para reter a água que desce da Cordilheira.

No dia seguinte empreendemos a viagem para San Pedro de Atacama. Saímos de Antofagasta por volta das 10h da manhã e a subida para 2.200 metros se dá rapidamente! As paisagens são de tirar o fôlego, não somente pela rerefação do ar que já se começa a sentir... De repente, numa curva, avistamos o Salar de Atacama, um imenso lago de sal, onde há 4.000 anos havia um lago de verdade.

Na primeira vez que vi o Salar de Atacama em 1993 avistei milhares de flamingos mariscando nas poucas poças de água que resitem; desta vez havia apenas uma dezena.... mudanças climáticas ou apenas algo circunstancial, sazonal?











Estamos em um grupo bastante heterogeneo de 6 seis pessoas; três médicos luxemburgueses com mais de 50 anos de idade, dois deles envolvidos com ONGs que trabalham com crianças em situação de risco (inclusive em Luxemburgo), o outro é apenas um amigo que se interessou pela viagem, duas moças de 29 anos, uma é professora primária e a outra, film maker, que está documentando a viagem. E eu.

De San Pedro de Atacama passamos a Calama, tentamos visitar a mina de Chuqicamata, que há várias décadas produz a riqueza do Chile, o cobre, mas nao foi possível por uma incompatibilidade de horário.

Dali fomos direretamente para Iquique, onde reencontramos o Oceano Pacífico. Para chegar em Iquique descemos 2.200 metros em 15 minutos, uma descida vertiginosa e linda !!!


Andando na beira do Pacífico sentimos um cheiro como se estivessemos numa peixaria! Depois dei-me conta que este cheiro se deve tambem em parte à grande quantidade de caca dos pássaros. Há muitos pássaros marinhos, como se fosse em Fernando de Noronha, mas estamos numa das maiores cidades do Chile! E da praia avistei uma família de leões marinhos, inclusive com um filhote!

De Iquique viemos para Arica, a última cidade do Chile pela costa, antes de entrarmos no Peru. A viagem pela rodovia Panamerica é uma das mais lindas que já fiz! É um tal de subir e descer por despenhadeiros com aqueles dos desenhos animados.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Rumo Ao Norte - Primeiras Impressões

Quando voltei da Austrália no ano passado fiz uma escala numa manhã ensolarada de inverno em Santiago. Da janela do avião avistei a Cordilheira totalmente encoberta de neve e fiquei morrendo de vontade de descer e conhecer o lugar...


Hoje cheguei em Santiago sob um sol escaldante de 28º C e de neve não havia qualquer lembrança:









Além disso hoje é Sexta-feira Santa e, claro, tudo está fechado; mesmo assim os Chilenos saem todos para a rua para comer mariscos no Mercado Central, que na hora que visitei estava completamente caótico.
No Mercado Central de Santiago, numa das minhas primeiras conversas, louco para praticar o meu Español, tive o seguinte diálogo com a garçonete:
- Señora, por favor, que jugos tiene?
- Tenemos Abactchi, morango y pesego ...
E eu, já irritado:
- Señora, por favor, estamos en Chile! hable castellano, si?
Ela:
- Se lo hablo non me compreendes!
Eu: - Pués traigame un jugo de piña! Sin azucar, por favor!

A cidade nao tem nada de mais, apenas um quê europeu, de limpeza e ordenamento que nao se avista em outras paragens no continente.
[Durante toda a viagem, na qual percorremos 4.400 km em duas semanas, estive sempre muito cansado e com pouca disposição para escrever]

Porque a Viagem

No ano letivo de 1990/91 fiz residência médica em Luxemburgo em Clínica Médica com ênfase em Infectologia; Ali conheci Jos Faber, meu colega de residência, que viria a se especilizar em Otorrinolaringologia.

Ao fim da residência fizemos juntos uma viagem de carro por Portugal e Espanha, o que acentuou a nossa amizade; depois que retornei ao Brasil sempre nos mantivemos em contato.

Jos faz parte no Luxemburgo de um grupo de motoqueiros, e ao ver o filme "Diários de Motocicleta" deciciu que repetiria a viagem de Che pela América do Sul e me convidou para acompanhá-lo. Eu não o acompanhei na primeira etapa, de Buenos Aires a Santiago, que ele fez no ano passado, durante a minha viagem para a Austrália, mas assumi o compromisso com ele de que o acompanharia nesta segunda etapa, de Santiago a Lima, que começa amanhã, e aqui estamos!

Jos Faber é casado, pai de um rapaz e de duas meninas adolescentes, é médico e vereador pelo Partido Socialista luxemburguês pela sua cidade natal, Walferdange, Luxemburgo. Ele divulgou a sua viagem no Luxemburgo com o objetivo de arrecadar fundos para uma entidade que assiste crianças em Rosário, Argentina, e a nossa viagem será acompanhada de perto pela imprensa luxemburguesa - bem como pela família real local, que lhe outorgou uma carta de recomendações!

www.helpkids.lu

Acredito que Jos e eu temos impressões diferentes sobre como abordar os problemas das crianças pobres na América do Sul e sobre Che Guevara, mas, para mim, é apenas mais uma viagem na companhia de um amigo querido.